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domingo, 18 de novembro de 2018

OS FILHOS DE NAZARETH




OS FILHOS DE NAZARETH

Era uma vez uma menina chamada Nazareth que viveu abrigada em uma família abastada no Maranhão. Tornou-se uma moça feliz, íntegra e reta, seguidora de Maria, ela temia a Deus e evitava o mal. Teve cinco filhos e uma filha no casamento que teve com um bom homem chamado Luiz que a honrou por toda a sua vida. Criou também um jovem que ela adotou antes mesmo de seus filhos nascerem. Possuía ela uma grande ternura pelos necessitados; e, não foram poucos os que dela receberam ajuda por longos tempos. Ela era a mais rica em misericórdia.

Os filhos de Nazareth costumavam fazer pândegas, aqui e ali, eram convidados pelos amigos para comer e beber com eles. Quase sempre ela rezava seu terço para purificá-los. Ela madrugava e oferecia promessas em rezas para cada um deles, pensando: “Talvez meus filhos tenham pecado, ofendendo Deus em seu coração”. E ela fazia assim todas os dias. [Jó]

Nazareth, era um modelo de esposa e mãe justa. Acreditava na teologia da retribuição, Deus lhe premiava com justiça protegendo seus filhos.

Seus filhos se chamam inicialmente de Luiz por causa do nome do pai, seguido do nome individual de cada um. Começando pelo mais velho: Os gêmeos - Luiz Carlos e Carlos Luiz, [tendo o segundo falecido dias após seu nascimento]; depois veio, Baltazar, Clédio, houve um espaço de sete anos; em seguida veio, Sergio e pôr fim, a menina Vera Lúcia. O adotado, que amamos com um verdadeiro irmão se chama Manoel.

Cada um dos filhos de Nazareth tem o caráter completamente diferente dos seus irmãos. Eles aprenderam de sua mãe sobre o Reino do céu; e Jesus, Maria e José. Aprenderam muito com ela sobre a natureza humana. Eles representam muitos tipos diferentes de temperamentos humanos, e a instrução escolar não os havia transformado em doutores; exceto a menina Vera.

Todos os filhos de Nazareth a amava; mas ainda assim é verdade que cada um deles sentia-se atraído por algum aspecto, na personalidade dela.

Manoel foi o único escolhido de Nazareth, pois não é seu filho legitimo e foi o primeiro a chegar em casa quando ela ainda não tinha tido o primeiro parto. Dessa forma, se tornou o líder dos que iam nascendo. Nunca nos importou conhecer a sua linhagem ancestral, para nós ele é mesmo um irmão legítimo. Manoel quando menino já era um homem de coração valente, organizado, ajudava mamãe em tudo e era o seu principal apoio. Ele nunca teve inveja da capacidade dos outros, raro é ver um irmão mais velho do tipo dele exercendo uma influência tão profunda sobre seus irmãos mais jovem e nunca ter a menor inveja deles por serem legítimos. Ele admirava mamãe por causa da consistência da sua sinceridade e da sua dignidade sem afetação.

Luiz Carlos e Carlos Luiz os gêmeos – os primeiros dos filhos legítimos. Luiz Carlos foi apartado do seu irmão Carlos Luiz, que veio a falecer ainda nos primeiros dias de nascido. Não há muito a ser dito sobre ele, a não ser, que era um irmão comum. Ele amava mamãe e ela o amava, mas ele nunca contestou as suas ordens e as de ninguém com perguntas. Luiz Carlos entendia pouquíssimo sobre as discussões dos seus irmãos, mas rejubila-se por se ver incluído e aceito neste grupo de irmãos. Na sua mocidade ele era o primeiro nas horas de prestar ajuda e, de fato, era o servidor geral dos seus amigos e parentes. Ele cuidava de qualquer pessoa com suprimentos, levava-os para casa quando os via pelas ruas e estava sempre pronto para dar uma mão e ajudar a qualquer dos irmãos. Ele era benevolente, não possuía pontos fortes nem pontos fracos. Luiz Carlos amava mamãe especialmente por causa da simplicidade dela. Ele foi que melhor captou o laço de compaixão entre ele próprio e o coração dela.

Luiz Baltazar [o terceiro], podemos chama-lo de - o “incrédulo”. É bem verdade que a sua mente desde menino era do tipo lógico, cético, mas ele tinha uma forma de lealdade corajosa que proibia aos seus irmãos de considerá-lo como um cético por leviandade. Quando jovem, era um exime carpinteiro, com uma faca fazia qualquer coisa de um peça de madeira; possuía uma mente perspicaz e de bom raciocínio. Ele era realmente o cientista do grupo. Baltazar nutria um vestígio de suspeita, que tornava sobremaneira difícil relacionar-se pacificamente com ele. Apesar de as vezes ele ser mesquinho, desagradável, contudo ele construía brinquedos para nós; e, era estupendamente honesto e inflexivelmente leal. Ele tinha uma excelente mente analítica, acompanhada por uma coragem inflexível — A sua grande fraqueza é o seu duvidar suspeitoso, coisa que ele nunca venceu inteiramente em toda a sua vida. Baltazar respeitava mamãe por causa do caráter dela tão esplendidamente equilibrado.

Luiz Clédio [este que lhes escreve] foi o quarto – caçulo, irmão mais novo por sete anos. Herdeiro do nome do pai. Podem me chamar de o “arbitrário”. Desde pequeno já gostava de trabalhar com meu pai e funcionava como o agente pessoal dele para cuidar dos meus irmãos; e, continuei com essa responsabilidade enquanto fui solteiro. Sendo o mais jovem dos filhos e mantendo um contato tão íntimo com meu pai, fui muito respeitado por ele e ansiado por minha mãe, pois eu tinha uma saúde debilitada que requeria muita atenção. Em vista do fato de que eu cheguei a ser o mais próximo de papai, eu era o filho em que ele mais acreditava. Meu caráter é a minha confiabilidade; eu estava e estou sempre disposto e sou corajoso, fiel e devotado ao trabalho. Mas a minha maior fraqueza é a vaidade característica de um jovem arbitrário, que se auto surpreendia. Talvez por ser o mais jovem membro da família, tenha sido apenas um pouco mimado; e, eu tivesse sido condescendido um pouco demais. A características que eu mais apreciava em mamãe eram o seu amor e a falta de egoísmo.

Luiz Sergio – [o quinto filho], podemos chama-lo de o “curioso”. Me desbancou do trono de caçulo. Como a estrela mais nova da família, em tudo ele queria participar; até nas conversas dos adultos ele dava palpite; era preciso regra-lo. Quando não tinha onde se meter, ele se envolvia em experiências farmacêuticas preparando remédios do mato e queria que a gente tomasse. Sergio foi também, de um certo modo, influenciado pelo fato de eu ter sido aceito no meio dos negócios de papai. Ele estava sempre querendo que tudo se lhe fosse mostrado. Ele nunca parecia se ver longe, diante de qualquer questão. Porem a falta de imaginação construtiva ainda é a sua fraqueza. A sua característica mais forte é a minuciosidade metódica; é tanto matemático quanto sistemático. Ele é um homem que pode fazer coisas pequenas de um modo grande, fazia-as e faz bem e aceitavelmente. Sergio é o homem comum típico, de todos os dias. A qualidade de mamãe que ele tão continuadamente admirava era a generosidade infalível dela.

Vera Lucia – a única filha. Foi um espanto para a família quando viram que era uma menina. Sendo solteira, era o único esteio dos nossos pais já idosos e enfermos, vivendo com ela até faleceram. Seus irmãos já eram pessoas casadas e nenhum deles vivia mais lá, [exceto o quinto]. Ela é a mais bem instruída dos irmãos. Podemos classifica-la com sendo uma pessoa “sem artifícios”. E, essa é a sua grande virtude; ela é tanto honesta, quanto sincera. A fraqueza do seu caráter é o seu amor-próprio; ela é muito orgulhosa, da sua formação, da sua própria reputação e dos seus afazeres; e, tudo isso seria louvável, não fosse levado tão adiante. Vera, contudo, é inclinada a ir aos extremos nos seus preconceitos pessoais. Quando está com o humor certo, é provavelmente a melhor contadora de histórias. Todos seus irmãos a ama e a respeita. Muitas vezes, quando as coisas estão ficando tensas e confusas entre nós, Vera alivia a tensão com um pouco de filosofia ou com um lance de humor; e um humor certamente de boa qualidade. O carecer de Vera é o de cuidar dos seus familiares. O que ela mais reverenciava em mamãe era a sua tolerância.

Cada um dos filhos de Nazareth tem um testemunho eloquente do encanto e da retidão da vida dela, embora houvesse ela desprezado os confetes e a ambição que os seus filhos alimentavam de exaltação pessoal. E, nos momentos difíceis, apesar de tudo, ela não pecou e não acusou Deus ou sua amada Maria de ter feito alguma coisa injusta.

Seus filhos ainda estão todos vivos, na graça da teologia da recompensa em que tanto ela acreditou. E o pão nosso de cada dia, nunca faltou a nenhum de nós até hoje.

Amém, amém e amém!

[Por: Luiz Clédio Monteiro – nov/2018]

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