Eu sonhei com o fim do rabo do diabo na Igreja

Eu sonhei com o fim do rabo do diabo na Igreja

“Se ontem não se deviam lançar pérolas aos porcos, hoje os porcos pós-modernos têm suas próprias pérolas, e lançam-nas aos quatro ventos, e quem achá-las julgará estar achando a pérola de grande valor, mas não precisará deixar tudo o que tem para adquiri-la, poderá ficar com tudo o que tem e com a pérola dos porcos porque o evangelho globalizado e interativo trocou a Cruz por um gazofilácio e o sangue por um punhado de moedas, tornando pérolas em cacos de vidros e homens em porcos”. (William Domingues)

Seja porque o rabo cresceu muito ou o espaço está cada vez mais reduzido, o fato é que o Demo anda com sérios problemas para continuar incógnito dentro das igrejas.
Eu sonhei que a igreja estava em plena expansão, com diversidade, complexidade e dinamismo. Com isso surgia cada dia novas igrejas e era espantoso e difícil descrever a generalidade de tanta denominação.
Nisto veio a maldição do "jeitinho brasileiro" que como o rabo do diabo, foi dando lugar a método elaborados, em que a criatividade, associada à determinação e ao trabalho ganancioso, em substituição ao evangelho da cruz em nome de soluções de melhoria contínua, racionalizando sacrifícios, aumentando a eficiência da promessa de serem mais abençoados, tornando as pregações mais competitivas e aptas a atuar em arrecadação.
Voltar a proclamar o evangelho da cruz era imperioso para sobrevivência da igreja de Cristo.
Práticas de criar dificuldades para vender facilidades eram bastante conhecidas e aplicadas naquelas pregações. Elas se faziam presentes na forma de conduzir os cultos acentuados principalmente na televisão, deixando seus rastros nos lares e os bancos das igrejas de Cristo cada vez mais vazios. O esforço dos que se locupletava com este engano estavam concentrados em não permitir que o evangelho da cruz fluísse de forma sistêmica.
Aconteceu que as igrejas como um todo, e as pessoas individualmente, de repente acordaram e já não aceitavam mais esta situação, pois tinham a percepção de que aquilo era o caminho do fim.
Exemplo ressente estava ali no noticiário televisivo onde escândalo financeiro envolvia certa denominação, levando, inexoravelmente, a processos mais transparentes, coibindo as soluções via "jeitinho", que consumia grande parte dos recursos, já escassos dos sofredores ingênuos em descontrole e corrompidos.
Ícones de igrejas privadas, antes consideradas inabaláveis, estavam indo à lona, em traumáticos processos de "recuperação judicial", levados a este estágio por administradores ineptos e corruptos, que os tornaram anacrônicos por não primar pela transparência do evangelho da cruz.
As igrejas envolvidas já se davam conta de que a mudança da pregação motivadora para o sermão do evangelho da cruz era uma necessidade imperiosa para a sobrevivência. Esta mudança premiava toda uma cadeia de igrejas, indo desde as grandes corporações “evangélica da prosperidade” até as mais simples independentes dos bairros.
A formação de “pastores” vinha mudando radicalmente. Agora essas igrejas, cobravam do proposto ao cargo, currículo de formação competitiva com a teologia, informação do tempo de convertido e da sua vida pessoal integrada aos métodos do contratante. Esta mudança espiritual vinha trazendo ao processo um "circulo virtuoso", onde cada pastor ou evoluía ou estava fora.
Foi essencial que os pastores fundamentados na doutrina anti-prosperidade, que já representava 75% em média do volume das pregações, também estivassem integrados ao do evangelho da cruz.
Ser um pregador de uma doutrina tão importante não era mais suficiente. Era necessário que eles se tornassem multiplicador de discípulos para alcançar com a palavra e a misericórdia os que estavam hospitalizados e encarcerados e através de missionários disponíveis executavam as visitas complementares em lares carentes com sua localização geográfica não privilegiada e de difícil acesso.
Com essas práticas, que se tornavam cada vez mais usuais, o evangelho da cruz através de seus promotores foi esconjurado e batizando o povo, limpando o mercado das pragas do rabo do diabo que atravancava seu desenvolvimento e assim Jesus quem sabe, poderia voltar logo.
Depois disso acordei, levantei e vi pela sacada uma cabra no campo. Então pensei: Um dos mitos associados à igreja é a cabra que, por sua estrutura ou seja - que não se curva! Consegue subir as montanhas mais íngremes para justamente morder o tufo de grama mais verde no topo dos céus.

Luiz Clédio Monteiro Filho
São Luis _MA.
Jan. de 2007

PS - Para se abrir uma igreja, não é necessária muita coisa. Se junta uma diretoria composta por oito pessoas; depois se convoca uma reunião para emitir a ata de fundação. A partir daí, basta elaborar o estatuto e registrá-lo no cartório. Em seguida dar entrada no CNPJ.
Quando ao pastor – É líder leigo, onde o que vale é a espontaneidade litúrgica e uma boa dose de improvisação.
Quanto ao nome - A marca ‘Igreja Batista’ é respeitada até mesmo fora dos meios evangélicos. Então, há pessoas que se aproveitam disso e usam o nome da denominação para passar credibilidade. Mesmo sem ter quaisquer vínculos com a convenção.
Levantamentos realizados por entidades missionárias apontam para a existência de cerca de 150 mil templos e casas de culto evangélicas no país.
Há pouco tempo, o jornal carioca Balcão, especializado em anúncios classificados – publicou um anúncio esquisitíssimo. Anunciava-se a oferta de uma igreja evangélica, equipada com som e móveis e que tinha cerca de 200 membros dizimistas fieis.

Nota: assunto inspirado num artigo publicado na Gazeta Mercantil.
Por Fernando Carvalho, diretor-presidente da Repom
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