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Pecador por ofício.


Por: Luiz Clédio Monteiro

Só podemos tratar do pecado dos outros, quando o nosso pecado, já não é prazer, mas sofrimento de queda em tentação.

Na minha adolescência me envolvi com uma jovem, que morava lá em casa. Isso resultou em uma gravidez que gerou uma menina. Antes de saber do fato, já tinha ido estudar em São Luis, assim não chegue a conhecer a minha filha, mesmo porque a jovem mãe fora ter a neném junto à sua parentela e por lá ficou. Só vim saber do nascimento, tempos depois.

Passaram-se vinte e poucos anos; eu, já casado morando em São Luis (ainda descrente). Deparei com uma jovem em uma dessas chácaras que promovem vesperais regrados a musicas e outras coisas. Conversando, descobrimos varias afinidades entre nós. Éramos da mesma cidade interiorana; a sua mãe havia morado no mesmo endereço que o meu; o nome da sua mãe coincidia com o mesmo nome da jovem que havia morado lá em casa. E, para concluir as coincidências, o meu nome era o mesmo, que a sua mão havia dito ser, do seu pai – ausente em sua vida. Tudo começou quando ela, ao mi ver chegar, perguntou o que eu estava procurando ali; e, sem pensar, respondi que procurava uma filha, que não conhecia (não sei por que disse aquilo). Ela então concluiu prontamente, que também procurava por seu pai, mas que não o conhecia.

Estupefatos, olhava-nos um para o outro sem acreditar no que estava acontecendo. Pai e filha se encontrando pela força do destino? Eu era o seu pai, e, ela era a minha filha? Ela era aquela criança que nascera da relação com aquela jovem, na casa dos meus pais no interior, vinte e poucos anos atrás? Inacreditável. Ficamos muito emocionados. Confesso que em minhas rezas, às vezes, pedia com remorso para encontrá-la um dia. Mas assim de repente; e naquelas circunstâncias? Foi demais. Parecia coisa de novela!

Desde então passei a visitá-la. Isto foi o suficiente para ela tomar um rumo mais descente para sua vida. Por sua própria vontade, resolveu mudar de endereço, e, levar uma vida mais digna. Arranjou um emprego. Voltou a estudar. Noivou e casou. Hoje ela mora em São Paulo, tem três filhos (meus netos). Vive feliz na sua vida de luta, exercendo um cargo simples em uma empresa terceirizada da USP.

O que podemos ver neste testemunho? A maioria das prostitutas, na verdade são crianças abandonadas, revoltadas, incompreendidas, que receberam sem pedir, uma vida desestruturada de pais desestruturados. Sei que isto não justifica o pecado do meretrício, mas se elas reencontrarem o amor, o perdão, da família, que elas amam e respeitam; tenho certeza que as coisas mudariam como mudou com a minha filha.
Os mortos não têm esperança na verdade (Isa. 38: 18). Da mesma forma a prostituta não tem esperança na verdade da vida fácil. "Buscai o Senhor enquanto Se pode achar" (Isa. 55:6). Buscando uma dessas “meninas” enquanto podemos. Não sabemos o que acontecerá amanhã (Tia. 4: 13-17).

A circunstância da prostituição lembra Dimas, "O bom ladrão". Aquele que estava crucificado ao lado de Jesus na cruz. A prostituta sabe que merece ir ao inferno porque reconhece que a sua vida é um desastre, mas mesmo levando uma vida de pecado, sente-se, crucificada numa cruz, rude, e, dolorosa. Cega, não contempla Jesus para rogar um perdão, ver somente à sociedade que a rodeia. E, desesperada suplica em silêncio – “lembrem-se de mim. Quando estiverem em suas casas aconchegados à suas filhas.” Mas diferente do que aconteceu com Dimas, o bom ladrão, ela não recebe uma reposta de esperança. Há apenas a solidão da cruz.

O que faz um mundo melhor não são as perguntas, mas sim, as respostas. Precisamos levar respostas a essas prostitutas; que um dia, foram crianças amadas cheias de sonhos. Quando elas receberem estes ensinamentos em seus corações, a palavra de Deus operará nelas: Regenerando-as (I Ped. 1: 23). Produzindo fé (Rom, 10: 17). Dando-lhe certeza melhores (I Jo. 5: 13).
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