As Noventa e Nove

Confie em Javé, seu Deus, e estarão seguros. Confiem nos profetas dele; e tudo dará certo (2Cr. 20:20b).

Nos tempos de Jesus se deixava noventa e nove ovelhas obedientes para se ir em busca de uma (a negra) que se havia perdido (Lc. 15:4).
Hoje a triste rotina do pastor é tentar remir o grupo das noventa e nove que salpicadas pelos desejos do mundo algumas escarneceram a fé enquanto outras se despersuadiram. O efeito é pífio, como de quem cata papel na ventania.
Papeis trocado: a que se havia perdido e encontrada tornou-se como vidraça apedrejadas em meio do rebanho. A traquina ovelha negra do passado - que pois a perder grande parte do rebanho, é a santa ovelha reconciliada do presente.
Essa realidade foi acentuada a partir do neoplasma da “religião da prosperidade” que pegou um gancho no movimento pentecostal concebendo uma geração de “filhos da fé” sem fé, engrossado o “grupo das noventa e nove”.
Todos os dias são contados mais e mais “ovelhas”; cerca de 35 milhões se dizem “crentes” no Brasil sem que, em seu novo nascimento, conste fundamento do nome do Salvador Jesus. São filhos sem designo, afligidos pelo “poder da falsa prosperidade” que no malogro de uma esperança que mais invoca seus direitos do que deveres, tornam-se apedrejadores das ovelhas do aprisco de Jesus.
São vidas deparando-se sem valores espirituais: “conversões” motivadas em “igrejas fugazes”. Decisões esporádicas, advindo de relação afetivo-pessoal fragilizadas em família, endividamento, desemprego, nível educacional baixo e da realidade do novo costume religioso da “prosperidade” gerando perspectivas nas “campanhas santas” que visam exclusivamente arrecadação financeira.
Hoje o “crente” é tão ou mais desacreditado quanto o seu pastor espiritual. No máximo, equivalem-se por estarem no mesmo barco em plena tempestade: Um não faz, o outro impõe; um não ouve, o outro não sabe mais como enunciar; um não consegue ver à frente, o outro olha muito pra trás; um faz tudo errado ou torce pras coisas piorarem, o outro nem sabe direito por que tanta aversão; um está paralisado, o outro indignado; um é a favor, o outro é contra. Em comum, a terapia da oração comunitária de suplica, que de arrependimento não se faz a menor idéia.
A crença correta nos dogmas de Jesus é como um espelho e nele a sabedoria se dispõe a mostrar as riquezas do infinito interior e transborda de paz aquele que o descobriu. De outra forma provoca o subterfúgio, e este aguça o sentido do medo gerando uma caçada feroz; de forma que se, se o descrido disfarçar de lebre encontrará um cachorro; se em peixe, esbarrará em uma lontra; se em pássaro, virá um falcão; se num simples grão de areia, virar uma galinha e o comerá.
O verdadeiro crente não foge. É, seguidor de Jesus Cristo. É, alguém que faz uma opção (2Tm. 2:4), participa do viver lastimoso temporário do evangelho, mas também da vitória que ele traz na salvação gloriosa.

Luiz Clédio
Abr.2007
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